A advogada criminalista Flávia Falquetto tornou-se um dos nomes mais comentados nas redes sociais nesta semana após assumir a defesa do jovem Mateus, suspeito de envolvimento em um crime que abalou a cidade de Itanhém. Mesmo exercendo uma função essencial à justiça, Flávia passou a ser alvo de críticas e ataques virtuais — reflexo da incompreensão de parte da população quanto ao papel constitucional da defesa técnica.
Muitos não sabem, mas a advogada é natural de Itanhém, reside há dez anos em Teixeira de Freitas, onde mantém seu escritório voltado exclusivamente à advocacia criminal. Formada em Direito pela FASB em 2019, ela atua há quase cinco anos na área, sempre embasada na técnica jurídica, na ética e no respeito ao devido processo legal. Solteira e mãe do pequeno Henry Lucca, ela afirma que o filho é sua força diária e motivo de perseverança na profissão.

Entre os casos mais marcantes de sua carreira, Flávia relembra a defesa de uma mãe acusada de matar o próprio filho — processo que gerou forte repercussão e ataques intensos. “Em 45 dias conseguimos restabelecer a liberdade dela. Foi um caso de grande comoção e exigiu estudo profundo, reconstrução minuciosa dos fatos e enfrentamento de injustiças narrativas. A advocacia criminal tem esse poder: devolver dignidade a quem está sendo injustamente acusado”, explicou.
A advogada se define como técnica, combativa e absolutamente fiel à Constituição Federal, especialmente ao direito de defesa. Para ela, o ambiente das redes sociais tem se tornado um campo fértil para julgamentos precipitados. “Advogar não é agradar multidões. É garantir direitos, combater excessos e enfrentar condenações antecipadas”, pontua.

Atuação decisiva para apresentação do acusado
Em meio à repercussão do caso envolvendo Mateus, Flávia relatou que também teve papel fundamental para que o jovem se apresentasse à polícia.
O próprio acusado buscou a advogada para entender sua situação. Ao verificar na delegacia, Flávia constatou que já havia um mandado de prisão em aberto. Preocupada com sua integridade física e com o cumprimento correto do procedimento legal, ela decidiu organizá-lo para uma apresentação segura às autoridades.
“Ele fez contato comigo para verificar a situação. Quando fui até a delegacia, já havia um mandado de prisão em aberto. Preocupada com a integridade física dele, decidi que seria melhor apresentá-lo. Por esse motivo, fiz contato com a guarnição da CAEMA, que nos levou até onde ele estava escondido e nos conduziu em segurança até a delegacia”, explicou a advogada.
A intervenção da criminalista garantiu que a apresentação do acusado ocorresse de forma segura, técnica e dentro da legalidade, reforçando a importância da atuação profissional mesmo em cenários de forte comoção pública.

Ataques e ameaças
Com a repercussão do caso, Flávia também relatou ter recebido ameaças e ofensas virtuais, o que levou a Polícia Militar a oferecer apoio e reforçar sua segurança. Ainda assim, ela afirma que segue firme em sua missão.
“Casos de grande emoção geram reações extremas, mas isso não me intimida. Minha função é garantir direitos, não legitimar julgamentos populares”, declarou.
De maneira serena e convicta, Flávia reforça que a advocacia criminal é um dos pilares que sustentam o Estado Democrático de Direito, lembrando que nenhuma sociedade pode avançar se ignorar o direito de defesa. Sua atuação no caso evidencia que, mesmo diante da pressão pública, a preservação das garantias legais permanece sendo sua prioridade absoluta — e é isso que mantém o equilíbrio e a justiça dentro do sistema.























































