As especulações de que o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), poderia desistir de disputar o governo da Bahia em 2026 têm provocado reações distintas no cenário político estadual. Enquanto adversários comemoram a possibilidade, aliados encaram o tema com cautela e até mesmo com certo desconforto diante da repercussão crescente.
Nos bastidores, integrantes do grupo de Neto relatam incômodos relacionados a cobranças antecipadas de compromissos eleitorais. Segundo aliados próximos, o ex-prefeito estaria sendo pressionado a se posicionar sobre acordos e candidaturas em um momento considerado prematuro. “Querem que ACM Neto assuma compromissos desde agora, como se fosse possível. Não é ano de política, isso deveria acontecer só no próximo ano. Tem gente querendo fechar lista de candidatos, como se isso fosse possível agora”, desabafou uma fonte ligada ao ex-gestor, sob reserva.

Outro ponto de tensão parte da atuação de pessoas próximas a Neto, que, de acordo com relatos, estariam agindo de forma considerada “acintosa” em busca de vantagens políticas, o que tem gerado desgaste dentro do próprio grupo. Além disso, a estratégia do governador Jerônimo Rodrigues (PT) de atrair antigos apoiadores de Neto desde 2023 também tem criado dificuldades adicionais para a oposição.

A ausência mais frequente do ex-prefeito do debate público alimenta ainda mais os rumores. Críticos avaliam que Neto tem se mostrado distante e dado pouca atenção a questões estaduais, o que acaba reforçando a imagem de incerteza sobre seus planos para 2026.

Apesar das especulações, pessoas próximas lembram que Neto segue ativo em encontros políticos, tanto em Salvador e no interior quanto em Brasília. No último dia 17, ele participou de reuniões na capital federal, em um gesto interpretado como sinal de que ainda mantém articulações relevantes no cenário nacional.
Entre aliados, a possibilidade de uma nova desistência é vista como arriscada. A lembrança da eleição de 2018, quando Neto optou por não disputar o governo e lançou José Ronaldo como candidato, ainda está presente e gera temor de repetição. “Se Neto não entrar na disputa, será a morte política dele”, avaliou um interlocutor.
Além disso, a indefinição do ex-prefeito acaba influenciando diretamente outros projetos eleitorais. Pré-candidatos a cargos legislativos condicionam suas movimentações à candidatura de Neto, o que pode gerar dissidências caso ele decida não entrar na disputa.
Fonte: Bahia Notícias























































